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Triglicérides merecem atenção em pelo menos 6 cenários

  • Foto do escritor: Dra. Maithê
    Dra. Maithê
  • há 5 dias
  • 5 min de leitura

Pesquisa afirma que as alterações, que costumam evoluir de forma silenciosa, já atingem 29% dos adultos no mundo.


Mãos segurando uma caneta de emagrecimento enquanto outras mãos apontam para ela, representando críticas e dúvidas sobre o uso do Mounjaro
O diagnóstico de triglicérides elevados pode surpreender por não estar relacionado apenas com o consumo de alimentos gordurosos

Triglicérides são normais no organismo, mas em excesso podem aumentar o risco de problemas cardiovasculares, gordura no fígado e até pancreatite aguda nos casos mais graves.


O problema merece atenção porque as alterações costumam evoluir de forma silenciosa e sem sintomas claros. Isso ajuda a explicar por que 29% dos adultos no mundo apresentam triglicérides elevados, segundo uma meta-análise publicada em 2025 no periódico científico Journal of Health, Population and Nutrition.


O que são triglicérides e quando eles ficam altos


Depois das refeições, o corpo transforma parte das calorias não utilizadas em gordura circulante no sangue, conhecida como triglicérides.


Essas substâncias ficam guardadas no tecido adiposo, funcionando como reservas de energia.


Contudo, embora sejam importantes para o funcionamento normal do corpo, os triglicérides podem representar problemas relevantes em pelo menos 6 cenários:


1. Quando os exames estão repetidamente alterados


Um resultado isolado nem sempre significa doença, pois alterações temporárias podem ocorrer após excessos alimentares, consumo de álcool ou períodos de sedentarismo. Porém, quando os exames continuam mostrando triglicérides elevados ao longo do tempo, é importante investigar outras possíveis causas tais como:

  • Obesidade visceral;

  • Resistência à insulina;

  • Diabetes;

  • Hipotireoidismo;

  • Doenças hepáticas;

  • Predisposição genética. 

Além de ajudar a identificar alterações metabólicas que exigem acompanhamento, essa investigação também é importante porque níveis muito elevados de triglicérides aumentam o risco de pancreatite aguda, especialmente quando ultrapassam os 500 mg/dL.

2. Quando há suspeita de gordura abdominal excessiva

Os triglicérides elevados podem indicar que o corpo está com excesso de gordura visceral ao redor dos órgãos internos na região do abdômen, favorecendo alterações relacionadas à chamada síndrome metabólica.  Neste tipo de quadro, o organismo tende a ter mais dificuldade para controlar tanto o açúcar no sangue quanto o metabolismo das gorduras, gerando consequências como:

  • Resistência à insulina; 

  • Hipertensão;

  • Colesterol alterado;

  • Maior risco cardiovascular;

  • Constante aumento da circunferência abdominal.

Lipodistrofia familiar

A alteração dos triglicérides pode também estar associada a um tipo de síndrome metabólica que acomete pessoas sem aparente sobrepeso e que chegam a apresentar braços e pernas muito finos. Este seria o caso da lipodistrofia familiar, uma doença genética bastante rara.

3. Quando os valores estão muito elevados

Quando os triglicérides atingem níveis muito elevados — principalmente acima de 500 mg/dL — o risco de pancreatite aguda aumenta de forma significativa. Entre pessoas com diabetes, o risco costuma estar associado a valores acima de 880 mg/dL.

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode provocar dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e necessidade de internação hospitalar. Em alguns casos, o quadro pode se tornar grave.

Esse é um dos principais motivos pelos quais os triglicérides elevados não devem ser ignorados, mesmo quando a pessoa não apresenta sintomas aparentes no dia a dia. Quilomicronemia familiar Níveis muito elevados de triglicérides também podem ser provocados por doenças genéticas. Uma delas é a síndrome da quilomicronemia familiar, condição rara que está associada a episódios recorrentes de pancreatite.


4. Quando o consumo de açúcar e bebidas alcoólicas está elevado


Para surpresa de muitas pessoas, os triglicérides elevados não estão relacionados apenas ao consumo de alimentos gordurosos: eles também podem estar associados à ingestão de açúcar, farinha refinada e bebidas alcoólicas.


Poucos sabem que o consumo exagerado desses alimentos favorece tanto o aumento dos triglicérides quanto o acúmulo de gordura visceral, elevando de modo expressivo os riscos de resistência à insulina, diabetes e problemas cardiovasculares.


Por isso, casos persistentes de triglicérides elevados também demandam redução do consumo de refrigerantes, doces, sobremesas, bebidas alcoólicas e ultraprocessados.


5. Quando a alteração nas triglicérides acomete crianças


Não apenas adultos: crianças e adolescentes também podem apresentar alterações importantes nos exames de triglicérides, principalmente por conta do aumento dos casos de obesidade infantil, sedentarismo e consumo de ultraprocessados.Contudo, fatores genéticos também podem causar o problema.


Por isso, o histórico familiar de diabetes, colesterol alto, obesidade ou pancreatite também merece atenção no momento de avaliar os casos de triglicérides elevados.


6. Quando os triglicérides estão muito baixos


Embora o excesso de triglicérides receba mais atenção, níveis muito baixos também podem merecer investigação.


Isso porque essas alterações podem estar associadas a situações como desnutrição, dietas extremamente restritivas, hipertireoidismo, doenças intestinais com má absorção de nutrientes e problemas hepáticos.


Mas é preciso ressaltar que, em algumas pessoas, os triglicérides baixos não representam doença e apenas refletem hábitos de vida saudáveis e boa resposta metabólica. Por isso, a interpretação correta depende do contexto clínico e da avaliação médica.



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Consulta com a Dra. Maithê





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Outras dúvidas sobre triglicérides


1. Como baixar os triglicérides com segurança?


Não basta apenas “cortar gordura”. É preciso reduzir açúcar, bebidas alcoólicas, excesso de calorias e ultraprocessados. Além disso, a perda de peso, a atividade física e o controle da resistência à insulina também ajudam a melhorar o metabolismo.


2. Quando procurar avaliação médica para triglicérides altos?


Como os triglicérides altos costumam evoluir de forma silenciosa, o acompanhamento médico é muito importante para identificar riscos de forma precoce, sobretudo quando os exames estão persistentemente alterados.


3. Exame de triglicérides precisa de jejum?


Em muitos casos, não é mais obrigatório, já que alguns laboratórios e diretrizes aceitam a coleta sem jejum. No entanto, o médico pode solicitar jejum de 8 a 12 horas em situações específicas para uma avaliação mais precisa, especialmente quando há histórico de triglicérides elevados.


4. O que são triglicérides altos?


Os níveis de triglicérides no organismo variam do desejável a alto, conforme a classificação adotada pelos laboratórios de medicina diagnóstica:


  • Até 150 mg/dL: desejável;

  • Entre 150 e 199 mg/dL: limítrofe;

  • Entre 200 e 499 mg/dL: alto;

  • Acima de 500 mg/dL: muito alto e com maior risco de pancreatite.



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Foto de alimentos que costumam suscitar dúvidas com relação a triglicérides: ovo. farinha de milho, tapioca, banana, bolacha de água e sal, batata doce e café com leite

Quem tem triglicérides altos pode comer:



1. Ovo?


Na maioria dos casos, sim. O ovo não costuma ser o principal responsável pelo aumento dos triglicérides, que está mais relacionado ao excesso de açúcar, álcool e ultraprocessados.


b) Banana?


Sim, desde que com moderação. A banana contém carboidratos naturais e pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas o excesso de qualquer fonte de açúcar ao longo do dia pode contribuir para o aumento dos triglicérides, especialmente em pessoas com sedentarismo ou resistência à insulina.


c) Tapioca?


Pode, mas com atenção às quantidades. A tapioca tem alto índice de carboidrato de rápida absorção. Por isso, procure consumi-la com fibras e proteínas, a fim de evitar picos de glicose.


d) Bolacha água e sal?


Não é uma escolha ideal para consumo frequente, pois bolachas água e sal são ricas em carboidratos refinados e pobres em fibras, o que pode favorecer picos de glicose e contribuir indiretamente para o aumento dos triglicérides.


e) Cuscuz?


Sim, mas com moderação. O cuscuz é uma fonte de carboidrato e, quando consumido em excesso ou sem equilíbrio com proteínas e fibras, pode contribuir para elevação dos triglicérides.


f) Café com leite?


Em geral, sim. O café com leite não é um problema em si, mas o cuidado deve ser com o açúcar adicionado e com o consumo excessivo de laticínios integrais em pessoas que já apresentam alterações metabólicas importantes.


h) Batata doce?


Sim, pode. A batata doce é um carboidrato de absorção mais lenta em comparação a outros alimentos ricos em amido, mas ainda assim deve ser consumida com moderação dentro de uma dieta equilibrada.


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Referência científica


Rizwan A, et al. Global prevalence of hypertriglyceridemia in adults: a systematic review and meta-analysis. Journal of Health, Population and Nutrition. 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40859400/. Acesso à meta-análise.


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Dra. Maithê


Dra. Maithê, autora do artigo, em sua mesa na clínica onde atende seus pacientes.

Dra. Maithê P. Tomachio é especialista em Clínica Médica e reconhecida por sua atuação em congressos e programas de televisão, onde compartilha novidades sobre endocrinologia e nutrição.


Com mais de 20 anos de experiência e mais de 10 mil pacientes atendidos, dedica-se a promover saúde e bem-estar por meio da informação de qualidade


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