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15 mitos e verdades sobre o Mounjaro

  • Foto do escritor: Dra. Maithê
    Dra. Maithê
  • 13 de abr.
  • 8 min de leitura

Faz mal? Muda o rosto? Cria dependência? Volta ao peso original depois que para? Veja o que a ciência já demonstrou.


Mãos segurando uma caneta de emagrecimento enquanto outras mãos apontam para ela, representando críticas e dúvidas sobre o uso do Mounjaro
Ao mesmo tempo em que ganhou notoriedade em todo o mundo, o Mounjaro também passou a ser alvo de críticas, dúvidas e até desinformação

Desde que foi lançado nos Estados Unidos em 2022, o Mounjaro se tornou um dos medicamentos mais comentados em todo o mundo, tanto pelos resultados positivos no tratamento do diabetes tipo 2 quanto pela sua performance diferenciada na perda de peso.

Porém, ao mesmo tempo em que ganhou notoriedade, também passou a ser alvo de críticas, dúvidas e até desinformação — principalmente em relação à segurança, aos efeitos colaterais e ao uso indiscriminado.

Mas o que muitos ainda desconhecem é que a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, tem sido alvo de estudos crescentes por apresentar benefícios que já extrapolaram o controle da glicemia e do peso, alcançando outras frentes da saúde, tais como:

  • Tratamento da compulsão alimentar;

  • Melhora de parâmetros do fígado;

  • Impacto em fatores de risco cardiovascular;

  • Apneia obstrutiva do sono;

  • Diminuição de doenças inflamatórias;

  • Diminuição de esteatose hepática.

Ainda assim, algumas afirmações continuam causando insegurança, tais como:


  • “Mounjaro faz mal”;

  • “Mounjaro muda o rosto”;

  • “É só mais uma caneta para emagrecer, como o Ozempic”;

  • “Cria dependência”;

  • “Você volta ao peso depois que para”....


Afinal, em relação a tudo isso que se ouve, o que é mito e o que é verdade?

É o que vamos esclarecer em seguida, com base no que a ciência já demonstrou até agora.



Mitos e verdades sobre o Mounjaro


  1. “Mounjaro faz mal”

    Mito (na maioria dos casos).


A tirzepatida, cujo nome comercial é o Mounjaro, pode causar efeitos colaterais, especialmente no início do tratamento, como náuseas, desconforto gastrointestinal e diarreia — sintomas que podem se intensificar com o consumo de alimentos ricos em gordura ou açúcar. 


No entanto, esses sintomas costumam ser temporários e estão ligados à adaptação do organismo. Com acompanhamento médico e ajuste adequado da dose, o uso é considerado seguro e monitorável. Portanto, não é verdade que o medicamento faça mal.


Na grande maioria dos casos, os benefícios superam os efeitos colaterais esperados e relatados.


  1. Mounjaro muda o rosto”


 ⚖️ É tanto mito quanto verdade


A tirzepatida, cujo nome comercial é o Mounjaro, pode causar efeitos colaterais, especialmente no início do tratamento, como náuseas, desconforto gastrointestinal e diarreia — sintomas que podem se intensificar com o consumo de alimentos ricos em gordura ou açúcar. 


O medicamento não causa alterações diretas no rosto.


Por outro lado, a perda de peso — especialmente quando mais rápida — pode levar à redução de gordura facial, o que altera o contorno do rosto. Isso pode acontecer com qualquer método de emagrecimento.


Como o Mounjaro pode favorecer uma redução mais significativa da gordura corporal, essa mudança também pode se refletir no rosto.


  1. Mounjaro cria dependência”


 ❌ Mito


O que pode ocorrer, na verdade, é a tendência de retorno gradual ao padrão metabólico anterior após a interrupção do tratamento — algo que também pode acontecer com outras estratégias de perda de peso.


Isso está relacionado ao chamado “set point” (ou ponto de equilíbrio do peso corporal), regulado pelo cérebro, que tende a levar o organismo de volta a um padrão anterior.


Além disso, a obesidade é hoje reconhecida como uma doença crônica, inflamatória e com risco de recidiva, o que reforça a importância de acompanhamento contínuo.


Por isso, a medicina dispõe de diferentes abordagens para reduzir esse risco, incluindo mudanças no estilo de vida (MEV), acompanhamento médico e estratégias de manutenção individualizadas.


  1. “Você volta ao peso original depois que para o Mounjaro


 ❌ Mito


O que pode ocorrer, na verdade, é a tendência de retorno gradual ao padrão metabólico anterior após a interrupção do tratamento — algo que também pode acontecer com outras estratégias de perda de peso.


Isso está relacionado ao chamado “set point” (ou ponto de equilíbrio do peso corporal), regulado pelo cérebro, que tende a levar o organismo de volta a um padrão anterior.


Além disso, a obesidade é hoje reconhecida como uma doença crônica, inflamatória e com risco de recidiva, o que reforça a importância de acompanhamento contínuo.


Por isso, a medicina dispõe de diferentes abordagens para reduzir esse risco, incluindo mudanças no estilo de vida (MEV), acompanhamento médico e estratégias de manutenção individualizadas.


  1. “Mounjaro é só mais uma caneta para emagrecer, como o Ozempic


 ❌ Mito


Embora pertençam à mesma classe, os dois medicamentos apresentam diferenças importantes.


O Mounjaro atua em dois mecanismos hormonais relacionados ao metabolismo (GLP-1 e GIP), enquanto o Ozempic atua principalmente em um deles (GLP-1).


Na prática, isso significa que o Mounjaro pode influenciar o organismo de forma mais ampla — ajudando não só a reduzir o apetite, mas também a melhorar o controle da glicose e favorecer a redução da gordura corporal, contribuindo para o equilíbrio do metabolismo como um todo.


  1. “Mounjaro pode beneficiar o coração


 ✔️ Verdade


Estudos nessa área ainda estão em andamento. Em análises clínicas, como o programa SURPASS (CVOT), a tirzepatida, presente no Mounjaro, demonstrou não ser inferior a outros medicamentos já consolidados, como a dulaglutida — ou seja, apresentou um nível de segurança cardiovascular semelhante ao de tratamentos que já comprovaram reduzir o risco de eventos como infarto e AVC.


Na prática, isso reforça a expectativa de que o Mounjaro também possa trazer benefícios para o coração, algo que vem sendo investigado em estudos mais recentes.


  1. “Mounjaro pode ajudar na saúde do fígado


 ✔️ Verdade


A ciência já aponta uma relação positiva. Estudos recentes indicam que a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, pode contribuir para a redução da gordura no fígado (esteatose hepática), ajudando a melhorar o metabolismo e a saúde do órgão.


No estudo SURPASS-3, por exemplo, pacientes que usaram o medicamento tiveram uma redução mais expressiva da gordura no fígado do que aqueles tratados com insulina degludeca.


Além disso, pesquisas mais recentes, como o estudo SYNERGY-NASH, estão em andamento e devem trazer respostas ainda mais completas sobre o papel da tirzepatida no tratamento dessas alterações.


  1. Mounjaro não é só para diabéticos


✔️ Verdade


Lançado em 2022 nos Estados Unidos para o controle do diabetes tipo 2, o Mounjaro rapidamente chamou atenção pela sua capacidade de contribuir para a perda de peso, recebendo autorização do FDA para essa indicação já no ano seguinte.


  1. "Mounjaro corta o efeito do anticoncepcional"


⚖️ Tanto mito quanto verdade


É uma possibilidade indireta, uma vez que o Mounjaro tende a retardar o esvaziamento gástrico , o que pode reduzir a absorção do anticoncepcional de uso oral, principalmente nas 3 primeiras semanas. 

Por isso, pode ser recomendado o uso de métodos contraceptivos adicionais, especialmente no início do tratamento e durante o aumento de dose - períodos em que o efeito é mais relevante.


  1. "Mounjaro dá dor no corpo"


⚖️ Tanto mito quanto verdade


Algumas pessoas podem relatar dores musculares ou desconfortos no corpo durante o uso do medicamento, ainda que isso não seja um efeito colateral comum.

Esses sintomas podem estar relacionados à adaptação do organismo ou até ao próprio processo de perda de peso e alteração metabólica . Em geral, tendem a ser leves e temporários, mas devem ser avaliados caso persistam.


  1. "Mounjaro dá diarreia"


⚖️ Tanto mito quanto verdade


Alterações no funcionamento intestinal, incluindo diarreia, podem ocorrer com o uso do Mounjaro, especialmente no início do tratamento — e podem ser mais frequentes com a ingestão de alimentos ricos em gordura ou açúcar.


Esse tipo de efeito está relacionado à ação do medicamento no sistema digestivo e costuma ser transitório, melhorando conforme o organismo se adapta.


Por outro lado, a constipação tende a ser um efeito mais comum. Por isso, é importante manter uma boa hidratação e uma ingestão adequada de fibras.


  1. Mounjaro dá dor de cabeça


⚖️ Tanto mito quanto verdade


A dor de cabeça pode ser relatada por alguns pacientes, embora não seja um dos efeitos mais comuns.


Em muitos casos, pode estar associada a fatores indiretos, como redução da ingestão alimentar, hidratação inadequada ou adaptação do organismo ao tratamento.


  1. Mounjaro é um tratamento caro e elitizado


⚖️ Tanto mito quanto verdade


O Mounjaro ainda tem um custo elevado, o que pode limitar o acesso para parte da população — especialmente em países onde o tratamento não é amplamente coberto por planos de saúde, como Reino Unido e França.


Por outro lado, esse cenário pode variar de acordo com a estratégia médica adotada. Em alguns casos, é possível ajustar a dose de forma individualizada, mantendo o paciente em níveis mais baixos quando há boa resposta clínica, o que pode contribuir para reduzir o custo ao longo do tempo.


Além disso, nem todos os pacientes precisam de doses mais altas para alcançar resultados, e o acompanhamento médico permite identificar a menor dose eficaz para cada caso.


Por fim, à medida que o medicamento se torna mais difundido e novas alternativas surgem no mercado, a tendência é de maior acessibilidade.


  1. Mounjaro dá insônia 


Mito (na maioria dos casos)


A insônia não está entre os efeitos colaterais mais típicos do Mounjaro.


Quando ocorre, geralmente está relacionada a fatores individuais ou a mudanças na rotina alimentar e metabólica — e não a uma ação direta do medicamento sobre o sono.


  1. Mounjaro dá sono


⚖️ Tanto mito quanto verdade


O Mounjaro não tem como efeito direto provocar sono na maioria das pessoas.No entanto, alguns pacientes podem relatar sonolência ou cansaço no início do tratamento, geralmente relacionados à adaptação do organismo, à redução da ingestão alimentar ou às mudanças no metabolismo.


Em geral, trata-se de um sintoma leve e temporário. Caso persista, é importante procurar orientação médica para avaliação individualizada.



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Consulta com a Dra. Maithê





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Dúvidas mais frequentes sobre o Mounjaro


Mulher com leve sobrepeso em seu quarto, segurando uma caneta de emagrecimento próxima ao abdômen e levantando levemente a blusa, em um momento privado antes da aplicação

  1. Quais são os efeitos colaterais do Mounjaro?


Os efeitos colaterais mais comuns do Mounjaro incluem náuseas, sensação de estômago cheio, refluxo, diarreia ou constipação.


Em geral, esses sintomas aparecem no início do tratamento e tendem a melhorar com o tempo, especialmente com ajuste gradual da dose e tempo de uso contínuo .


  1. Qual é a dose inicial do Mounjaro?


A dose inicial costuma ser mais baixa e é aumentada de forma progressiva, conforme a adaptação do organismo, à orientação médica e aos exames.  

Esse ajuste gradual ajuda a reduzir efeitos colaterais e melhorar a tolerância ao tratamento.


  1. Quem não pode usar Mounjaro?


O uso do Mounjaro deve sempre ser avaliado por um médico. De forma geral, o medicamento não é recomendado em situações como:


  • Gestação ou planejamento de gravidez;

  • Histórico pessoal ou familiar de câncer medular de tireoide (um tipo específico de câncer da tireoide);

  • Presença de uma condição genética rara chamada neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN 2), que aumenta o risco de tumores em glândulas hormonais;

  • Histórico de pancreatite ou doenças pancreáticas;

  • Alergia conhecida a componentes da fórmula;

  • Cálculo de vesícula - melhor antes fazer colecistectomia ;

  • Pacientes com doenças inflamatória autoimunes intestinais ;

  • Balão  intragástrico concomitante.


Além disso, é importante ter atenção ao uso concomitante com outros medicamentos, especialmente:


  • Anticoncepcionais orais (pela possível redução da absorção em fases iniciais);

  • Medicamentos para diabetes, como insulina ou sulfonilureias, que podem exigir ajuste de dose para evitar hipoglicemia.


Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando o histórico clínico, os objetivos do tratamento e os possíveis riscos.


Por isso, a orientação médica é essencial antes de iniciar o uso.



Dra. Maithê


Dra. Maithê, autora do artigo, em sua mesa na clínica onde atende seus pacientes.

Dra. Maithê P. Tomachio é especialista em Clínica Médica e reconhecida por sua atuação em congressos e programas de televisão, onde compartilha novidades sobre endocrinologia e nutrição.


Com mais de 20 anos de experiência e mais de 10 mil pacientes atendidos, dedica-se a promover saúde e bem-estar por meio da informação de qualidade


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Referências


SELECT Trial Investigators. Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Obesity. New England Journal of Medicine, 2023.


Wilding JPH et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. NEJM, 2021.


Jastreboff AM et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. NEJM, 2022.




Clínica Médica de Endocrinologia e Nutrição Dra. Maithê P. Tomarchio

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